Durante quase dois meses, a candidatura «Ciclismo total – com todos, para todos» realizou 25 encontros/debate com aqueles que são o corpo mais são e a alma mais entusiasta da comunidade velocipédica.

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Como primeira etapa de uma corrida que pretende fazer vestir de amarelo todos os que amam e fazem o ciclismo acontecer, a candidatura «Ciclismo total» deu-lhes viva voz e sublinhou que lhes cabe assumir os destinos da modalidade. Nessas jornadas, recolheu os seus preciosos contributos, resultantes do saber de experiência feito, e deu a conhecer compromissos, princípios, prioridades e orientações estratégicas.

A candidatura liderada por Sandro Araújo marcou a diferença com esta prioridade, clareza e abertura – porque não se refugiou em pedestais nem na maledicência; porque foi direta e frontal fosse qual fosse o tema; porque sublinhou que a mobilização e a participação são indispensáveis para construir o futuro do ciclismo, verdadeiramente com todos e para todos.

Entre 29 de abril e 19 de junho, Sandro Araújo, candidato à presidência da Federação Portuguesa de Ciclismo, Isabel Fernandes, mandatária nacional, e vários membros da futura equipa que vai impulsionar a mudança no ciclismo nacional, tais como Ana Cunha, Agnelo Quelhas, Hugo Sabido, Jorge Pina ou Rui Melo, participaram no diagnóstico e no apuramento das melhores soluções.

Sem pressa, mas sem pausas

Nas reuniões com filiados de Setúbal, Algarve, Beira Litoral, Santarém, Lisboa, Porto, Minho, Vila Real, Açores, Madeira, Bragança e Beira Interior e Beira Alta, muitos foram os problemas comuns diagnosticados: as dificuldades de recrutamento dos mais jovens para a prática da modalidade e na captação de novos talentos, bem como na sua formação para a competição em várias vertentes; a distância face ao centro de decisão e a falta de promoção da participação das associações na definição das orientações estratégicas; a falta de apoio logístico por parte da estrutura federativa em diversos domínios; os elevados custos quer das provas organizadas nas regiões, quer para fazer participar atletas fora delas; a imprevisibilidade dos calendários desportivos.

Da parte da candidatura «Ciclismo total», sublinhou-se que sem uma maior ligação à sociedade, designadamente às escolas, e sem apostar em sectores e áreas como o ciclismo feminino e o uso da bicicleta em contexto urbano para fins múltiplos, não é possível a modalidade aproveitar todo o seu potencial de atração e crescimento. Nem crescer em número de praticantes e filiados, que se pretende que sejam 50 mil vinculados à FPC no final do próximo mandato.

Salientou-se, igualmente, a urgência de colocar as associações regionais no centro do debate e concretização das linhas de trabalho e prioridades definidas com o contributo de todos; de as libertar de tarefas burocráticas que, essas sim devem estar concentradas na FPC no quadro de uma estrutura profissional e eficaz; de estabilizar os calendários competitivos e investir na capacitação dos vários agentes, assim como no rejuvenescimento dos clubes e na criação de novos; de reduzir os custos de contexto e outros adaptando a estrutura de despesa à tipologia ou escalão competitivo; de promover uma ligação umbilical com a sociedade, comunicar mais e melhor e fazer do gesto de pedalar numa bicicleta um hábito tão natural como respirar.

Traduzir a confiança em votos

Mas a candidatura «Ciclismo total» também quis ouvir os vários agentes. E nas reuniões abertas com Equipas Profissionais, Equipas e Ciclistas Master, Ciclistas Profissionais, Atletas e Equipas de BMX, Atletas e Equipas de BTT, Treinadores, Atletas e Clubes Femininos, Comissários, Paraciclistas, Praticantes de Ciclismo Para Todos ou com a Comunidade Mobilidade Ativa, ficou claro que é necessário autonomizar o ciclismo profissional e dotá-lo de recursos próprios na estrutura federativa, garantir que o ciclismo de estrada reganha notoriedade e os seus protagonistas têm carreiras valorizadas e futuro risonho mesmo quando deixam de competir.

Não menos importante foi o destaque dado ao combate ao doping e ao reconhecimento da importância de vertentes como o BMX, o BTT, não apenas pelo valor próprio que, na verdade, não têm já que provar, mas porque representam, ao mesmo tempo, um enorme potencial de crescimento competitivo e não competitivo, nas cidades e nas zonas de menor densidade urbana. Isto além de poderem significar uma porta de entrada de jovens para outras vertentes do ciclismo.

Relevo foi dado nos debates e conversas, assinale-se também, à capacitação dos treinadores e à criação de condições para uma maior profissionalização; ao justo papel que tem de ser dado às mulheres ciclistas e à atenção na captação de mais meninas e jovens para a modalidade; à necessidade de ser criterioso, rigoroso e justo na nomeação e avaliação dos comissários e de criar condições para atrair mais pessoas com deficiência para a prática do ciclismo; de revitalizar o ciclismo para todos e garantir condições de segurança e democratizar o acesso e o usufruto da bicicleta, em contextos como passear, ir para a escola ou para o trabalho, algo que se incute desde tenra idade.

No balanço de quase dois meses de iniciativas em que participaram, igualmente, cerca de dezena e meia de mandatários regionais, distritais e para setores específicos, fica a certeza de que valeram a pena as muitas horas de trabalho e os quilómetros de estrada «pedalados».

O pódio está desde já entregue à comunidade velocipédica. Cabe-lhe, no dia 29 de junho, na primeira fase das votações que conduzem à escolha da nova direção da FPC, materializar a confiança evidenciada e reivindicar a «camisola amarela eleitoral» que a candidatura «Ciclismo total» sempre afirmou pertencer-lhe.

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